Escola Mandarim na BBC Brasil.

07 de março, 2005



Brasileiros aprendem chinês de olho na carreira
Diego Toledo
de São Paulo

Para boa parte dos alunos de uma escola de chinês em São Paulo, aprender o idioma é uma oportunidade para abrir portas no competitivo mercado de trabalho, em especial na área de comércio exterior.

&ldquoConhecer a língua e a cultura é um grande diferencial para você fechar um negócio ou trabalhar em outras empresas&rdquo, afirma Elen Milan Okada, que trabalha em uma companhia de transporte marítimo e há cerca de quatro meses é aluna do curso de chinês da escola Mandarim, no bairro do Paraíso.

&ldquoA China é um país que está crescendo em ritmos alucinantes e, como eu trabalho na área comercial, tenho grande interesse em abranger o maior número de línguas possível&rdquo, diz André Cardoso, engenheiro recém-formado que atua no comércio de softwares e estuda chinês desde o final do ano passado.

Cardoso, no entanto, admite que tem um outro interesse nas aulas de mandarim: quer se preparar para assistir de perto aos Jogos Olímpicos de Pequim. &ldquoTenho grande interesse em ir à Olimpíada de 2008. Já comecei agora para ter um tempo de aprendizagem&rdquo, revela.


Dificuldades

Tanto Elen como Cardoso concordam sobre quais são as maiores dificuldades para aprender o idioma chinês: os diferentes tons das palavras e a necessidade de entender e desenhar os ideogramas.

&ldquoCada tom que você fala errado é um significado totalmente diferente&rdquo, conta Elen. &ldquoPor exemplo, comprar e vender. A palavra é a mesma, só o tom que é diferente: mai (com uma pequena inflexão) e mai (com terminação aguda), um significa comprar e o outro, vender. Agora, qual é qual eu não sei&rdquo, confessa.

&ldquoÉ difícil decorar isso, e são difíceis também os ideogramas. Para cada sílaba, você tem um ideograma. Para o ocidental, é bem complicado até aprender a desenhar&rdquo, diz Cardoso.

O engenheiro também admite que é muito comum para os alunos de chinês cometer uma gafe quando tentam praticar o idioma com alguém que conhece bem a língua.

&ldquoPor exemplo, mãe é ma. Agora, se falar com um tom diferente: ma (maa), quer dizer cavalo. Então, você pode chamar a mãe do cara de cavalo&rdquo, brinca Cardoso.

Perfil dos alunos

O co-fundador da escola Mandarim, Victor Key Harada, afirma que mais de 95% dos cerca de 100 alunos inscritos no curso de chinês são de origem ocidental.

Boa parte já trabalha na área de comércio exterior e outra parcela considerável é formada por estudantes universitários que querem aprender a língua de olho no futuro profissional.

&ldquoPara uma comunicação básica, em cerca de dois anos a pessoa já consegue ir para a China e identificar alguns ideogramas do dia-a-dia&rdquo, estima Harada. &ldquoA idéia é que a gente forme alunos com fluência em cerca de quatro anos.&rdquo

O taiwanês Ming Wu, um dos professores da escola Mandarim, afirma que, ao mesmo tempo em que aprendem o idioma chinês, os alunos também são educados sobre curiosidades e características da cultura e do comportamento dos chineses.

&ldquoTodo mundo já sabe que o chinês cumprimenta com aperto de mão, nunca beijinhos&rdquo, diz Ming. &ldquoAlém disso, é comum dar cartões de visitas com duas mãos e sempre observar bem o cartão, e nunca guardar o cartão do lado como os brasileiros fazem.&rdquo

De acordo com o professor, os brasileiros consideram as pessoas mais importantes e, por isso, observam diretamente a pessoa, e não o cartão. Já o chinês, afirma Ming, vê o cartão como a própria pessoa.

&ldquoÉ obrigação você observar o cartão com muita atenção e guardar em um lugar visível para as duas pessoas, ou até segurar na mão até o final da conversa&rdquo, ensina Ming.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/forum/story/2005/03/050306_chinabrasil3.shtml